Aqui devia falar-se, de modo especial, dos pobres. O Evangelho, sobretudo o de Lucas, descreve quase em cada página como Jesus se relacionava com os pobres e como deixava claro que Deus é um Deus dos pobres. Da mesma forma, é um sinal característico de São Francisco e de Santa Clara que os dois queriam ser pobres entre os pobres, vivendo com os marginalizados de seu tempo. Como no presente Curso há uma lição dedicada especialmente a esse tema (cf. Lição 19), não entraremos aqui em detalhes. Apenas chama-se a atenção a um aspecto peculiar:
De preferência, Jesus dirigiu-se a pessoas ameaçadas na sua faculdade de amar. A este grupo pertencem pessoas marginalizadas da sociedade de então, assim como crianças, nas quais a capacidade de amar foi sufocada ou alterada. Pessoas assim ameaçadas são os primeiros alvos da preocupação pastoral, porque podem referir-se à palavra de Deus: “Aquele que receber uma criança como esta por causa de meu nome recebe a mim” (Mt 18,5).
Para Jesus, ninguém há de ser excluído da comunidade por motivos religiosos, p.ex., por não participar do culto segundo rituais estabelecidos por leis humanas: “Não são os que estão com saúde que precisam de médico, e sim os doentes!” (Lc 5,31).
As sanções mais duras, Jesus as profere contra aqueles que, nas crianças e nos fracos, colocam em perigo ou até destroem a capacidade de confiar e de amar: “Caso alguém escandalize um destes pequenos que crêem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar” (Mt 18,6).
À pergunta dos discípulos, quem no Reino dos Céus é o maior, Jesus respondeu que é preciso tornar a ser como uma criança. Quem, portanto, desiste de grandeza, força e poder “é o maior no reino dos céus” (Mt 18,1-4). Jesus iguala crianças e discípulos. Para ambos vale: “Aquele que receber uma criança como esta por causa de meu nome recebe a mim” (Mt 18,5). Quem, por ser cristão, renuncia à violência, tornando-se indefeso, expondo-se, como Francisco, ao “sultão”, tem o Evangelho do seu lado.
CCFMC, Lição 25, C 2.3

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