Ao que parece, Francisco, fazia uma experiência fundamental do valor da natureza que depois nunca mais esqueceu ou abandonou: Para ele, o mundo é um todo, uma unidade, uma ordem maravilhosa, não organizada hierarquicamente, mas determinada por justaposição. A comunhão, pela qual todos os seres são criaturas de Deus, lhe era mais importante do que as diferenças entre homens ou animais, plantas ou seres inanimados.
Nos primeiros relatos é muito acentuado como Francisco chamava todas as coisas de “irmãos” e “irmãs”, como conversava com o fogo, pedindo-lhe clemência, como convidava flores, vinhedos e todas as criaturas a louvar e a ouvir a Deus, como se fossem seres racionais. O mesmo vale no sentido inverso: o sol iluminava o olhar de Francisco, os pássaros lhe prestavam ouvidos, o grilo o acompanhava, a cotovia marcava as horas do ofício divino, a ovelha chamava-o à missa, as flores o consolavam, tudo lhe clamava: “Deus me fez por sua causa, homem querido”, ou: “Aquele que nos fez, é o melhor!”
Os companheiros de Francisco resumem: “Não é para admirar que o fogo e outras criaturas lhe tenham manifestado as suas deferências. Nós, que vivemos com ele, disto fomos testemunhas. Tributava-lhes tal amor e simpatia que ficava perturbado, quando as via tratadas sem cuidado; falava-lhes com grande alegria, como se fossem seres inteligentes e compreendessem o que lhes dizia de Deus. Muitas vezes, estas conversas terminavam em êxtase.” (LegPer 49).
Entre o homem e a natureza existe, portanto, uma relação “humana”. O nível de encontro com tudo o que existe e o nível de comunhão de todas as criaturas é, para Francisco, o nível humano; não uma existência de natureza subumana, “dionisíaca”, quer dizer inebriante, na qual o homem perde a sua dignidade.
CCFMC, Liçaõ 12, C 2.2

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