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A experiência de Francisco de Assis

No centro das experiências de Francisco de Assis estava o Jesus dos Evangelhos, cujos vestígios e cuja doutrina era preciso descobrir e seguir sem restrições. Jesus não é somente aquele que fez milagres e falou palavras poderosas, mas é também o Cristo pobre, sem propriedade, que nasceu nu numa manjedoura e morreu nu numa Cruz. Francisco olhava o mundo, a humanidade e Deus a partir desta perspectiva. Não precisava da interpretação dos teólogos para descobrir o Cristo dos Evangelhos.

Desta maneira, o conflito com a Igreja ficou inevitável. Os movimentos de pobreza da Idade Média não conseguiram resolver a tensão entre o Evangelho, compreendido de maneira radical, e a Igreja institucional. O confronto levou várias vezes a uma ruptura com a Igreja. Francisco conseguiu evitar um tal desfecho pelo pedido que fez que fosse nomeado um cardeal protetor[1], que protegesse os Irmãos para fora e para dentro.

O costume de mendigar não era para os irmãos um ato de humildade, mas uma necessidade, resultando da decisão definitiva de permanecer pequeno e pobre. Os pobres e pequenos experimentam que a diária lhes é retida. “E se por acaso não nos pagarem pelo trabalho, vamos recorrer à mesa do Senhor e pedir esmola de porta em porta” (Test 22).

Francisco queria que, até nas ermidas, os irmãos mendigassem a comida dos próprios irmãos, em solidariedade com os pobres (cf. RegEr 5).

A experiência humilhante de ter que mendigar foi visto positivamente por Francisco de Assis, pois lhe lembrava que Cristo e Maria eram pobres e tiveram a mesma sorte (cf. RegNB 9,5).

CCFMC, Lição 19, C 2.2



[1] Um cardeal encarregado pela Igreja de cuidar dos assuntos da Ordem.

10.06.2009