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CCFMC Boletín Decembro de 2009

Natal de 2009

Emanuel – Uma Via Sacra a Belém

 

Vós que criastes o mundo

Vos tornais frágil criatura, movido pelo amor

Vós que chamais toda a criação para a vida

Vos deixais conceber no ventre de uma mulher

Vós que o universo não consegue conter

Vos tornais ser vivo – tão pequeno como uma faísca

Vós que plasmastes a criação e os seres nela

    contidos

Aceitastes ser plasmado no ventre de uma mulher

Vós, Excelso – Senhor do universo

quereis apresentar-vos como simples filho de um carpinteiro

Vós, Senhor de todos os senhores e Rei do

       mundo

Vos tornais filho de gente humilde num país ocupado por forças estrangeiras

Vós, a quem tudo pertence

encontrais só portas fechadas nas vielas de Belém

Vós que amais todos os seres humanos

nascestes como excluído numa gruta periférica

Vós que estais sentado no trono além da

       história do mundo

estais deitado sobre palhas e sois admirado por humildes pastores

Vós que só saciais a nossa fome de viver

sugais no peito de vossa mãe a saciedade de vossa própria sede

Vós que sois sabedoria e conheceis todas as

       obras

chorais e gemeis como um menino envolto em pobres fraldas

Vós que levais os passos do mundo à

       perfeição

       aprendeis a andar pela mão de Miriam

Vós cujo amor nos corteja na Criação e na

       história

nos mostrais, sendo irmão, como começa o futuro de Deus

Fr. Niklaus Kuster OFMCap

 

 


 

. Pois o Menino Sacrossanto e Amado nos é oferecido e nascido a caminho e deitado num presépio, porque não teve lugar numa hospedaria!”

Ofício natalício de São Francisco

Com os nossos cordiais agradecimentos por nos terem acompanhado fielmente, enviamos os nossos melhores votos para um Natal cheio de graça e um Ano Novo cheio de bênçãos do Senhor. Queira o Deus infinito e humilde encontrar um lugar em nossos corações para que sejamos capazes de transmitir ao mundo que Ele está ao nosso lado, cheio de amor.

Com muita gratidão

A Vossa Equipe do CCFMC

Patricia Hoffmann, Hedwig Maurer, Andreas Müller OFM e Wolfgang Schömig  



 

De pés descalços nas pegadas de Jesus -

Francisco de Assis experimenta e segue Cristo

Br. Niklaus Kuster OFMCap


8. Encarnação

Admiração da “proximidade de Deus na terra”

As pegadas de Jesus levam o irmão peregrino também a Belém, o mais tardar em 1220, e isso, com corpo e alma. O seu compromisso contra a cruzada fracassa, no campo da aliança cristã, mas, do outro lado do Nilo, ganha um amigo, o Sultão al-Malek al-Kamil. Este consente que o Poverello continue livremente o caminho rumo à Palestina. De volta à Europa e, no Natal, o irmão procura meios de levar, também os camponeses da Itália, aos campos dos pastores de Belém: espiritual e palpavelmente. A festa natalícia de Greccio havia de entrar para a história. Francisco encenou o nascimento de Jesus, de tal forma realista, fundando assim a tradição do presépio, por ocasião da festa. O irmão passou a época fria do Advento de 1223, com poucos companheiros, na eremitagem de Greccio: era constituída de grutas sobre o vale de Rieti com a vista panorâmica para a planície suave até aos montes Sabinos ao norte de Roma.

Tempos de silêncio, após semanas de caminho, permitem refletir sobre as experiências e vivências feitas. Simultaneamente, abrem espaço para beber de fontes profundas e para estar só com Deus. Francisco quer, da mesma forma que seu Mestre, ir até Deus quando vem do meio dos homens, e vir de Deus quando for a estes (cf Mc 1,21-39). O biógrafo inicia a narrativa da festa natalína digna de menção, com a indicação de que o santo teria, “refletindo constantemente sobre as palavras do Senhor, não perdendo de vista nunca as Suas obras. Sobretudo, porém, sua humildade na encarnação e o seu amor na morte deixaram profundas marcas na sua memória.” A admiração sobre o caminho de Deus na terra inspira o poverello, duas semanas antes do Natal, a preparar uma festa especial juntamente com um fidalgo amigo, da região. A mesma devia, de maneira palpável, chamar a atenção, dos irmãos e do povo, para o amor e a humildade de Deus. Efetivamente, as pessoas munidas de archotes encontram na noite santa, na gruta dos irmãos, um menino recém-nascido em cueiros, deitado em palhas entre um boi e um burro. Na celebração da Eucaristia, sobre o presépio vivo, Francisco lê o Evangelho, ao qual a gruta, as palhas, os animais, o pequeno menino e a multidão fornecem um colorido nunca experimentado. Naquele tempo, como termina a descrição da comovente celebração, “nasceu o menino Jesus, de novo, nos corações de muita gente.” (1Cel 84-87).

 

 


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