Nós somos o povo
Foi comovente a celebração do 20° aniversário da queda do muro, realizada em Berlim no dia
O que tornou possível este milagre em Berlim foi a coragem de pessoas que já não quiseram silenciar. Elas se levantaram para lutar pelos direitos fundamentais garantidos pela Carta da ONU, e isto durante muitos anos, e em lugares bem diferentes – desde o dia 17 de Junho de 1953, passando pela revolta popular húngara em 1956 e a Primavera de Praga em 1968, até ao movimento do Solidarnosc, na Polônia, em 1980/81. Enquanto estes movimentos ainda foram asfixiados à força, o fim não-violento dos regimes comunistas nos respectivos países parecia a muitos contemporâneos um milagre. As sublevações na Alemanha oriental desenvolveram-se a partir de pequenos núcleos, passando pelas orações que, todas as segundas-feiras, se realizavam em Leipzig e em outros lugares, em favor do movimento poderoso, mas não-violento “Nós somos o povo”, que fazia frente aos dirigentes. Felizmente, houve políticos responsáveis, tanto no oeste como no leste, que reconheceram isso, evitando uma possível catástrofe global, através de decisões corajosas. O muro que dividiu, durante várias décadas, o leste e o oeste foi derrubado – pelo povo.
Um exemplo que deve inspirar coragem. Há, além disso, suficientes outros sectores nos quais, pessoas engajadas conseguiram mudar o mundo para melhor. Sem o movimento global de paz, não teria havido os passos decisivos de desarmamento. Sem os movimentos sociais, não teria havido as redes sociais, sem ATTAK e o Fórum Social Mundial, não teria havido nenhum projeto contra a globalização neoliberal da economia e das finanças. E sem as muitas iniciativas e movimentos ecológicos, a consciência de que, só através de decisões globais e firmes, é possível evitar uma catástrofe climática irreversível, não teria sido tão grande nos setores políticos e econômicos. Portanto, vale a pena participar dos respectivos movimentos. Se o povo estiver unido agindo com coragem, podemos transformar o mundo.
Como pessoas franciscanas, não devemos esquecer que muitos destes movimentos tem Francisco como orientador espiritual. É um sinal que, ainda hoje, indica de maneira fidedigna que podemos mudar o mundo: que não podemos reivindicar nada e possuir nada do que possa prejudicar aos outros; que não somos os donos da Criação, mas sim, seres criados, que só podem estar bem quando todos estiverem bem e, finalmente, que não pode haver senhores e servos numa humanidade de irmãs e irmãos e que, portanto, cargos não são confiados para dominar, mas para servir. Isto, aliás, não só é válido para a sociedade, mas também para a Igreja. Ela é o povo de Deus que deve fazer sentir neste mundo o Deus justo, misericordioso, cheio de compaixão e libertador. Nada mais há para ser dito sobre a nossa missão franciscana hoje.
Andréas Müller OFM
Assembléia Geral da Equipe Diretora Internacional do CCFMC
Aconteceu em Frascati/Roma de
· Prof. Mario Cayota, Embaixador do Uruguai junto à Santa Sé, Roma
”Visões de leigos franciscanos na Igreja e no mundo” (em relação ao curso e à ótica da Igreja conciliar)
· Irmã Marlene Perera FMM, Sri Lanka
“Preservação da Criação – Justiça ecológica, um desafio franciscano”
· Prof. Bill Short OFM, Califórnia
”Pensamentos acerca da crise econômica atual sob a perspectiva franciscana”
· Prof. Elmar Klinger, Würzburg
”Profecia Franciscana na Igreja”
Os impulsos que, na sua totalidade, foram de alto nível e muito inspiradores, foram debatidos em pequenos grupos alternados e acompanharam-nos durante toda a semana. Vamos publicá-los paulatinamente nos próximos meses para que todos tenham acesso aos mesmos.
Decisões sobre pessoal
Para garantir o futuro, foi necessário tomar decisões muito importantes acerca do pessoal. Por motivos de idade é necessário nomear e eleger sucessores tanto para o cargo de gerente do Centro do CCFMC, como para o de presidente. Esta questão já vem vindo na agenda desde há alguns anos, até hoje sem solução. Portanto, foi necessário que fossem tomadas as devidas decisões.
2. Como gerente no Centro do CCFMC em Würzburg foi eleita, para um período transitório, a Sra. D. Patricia Hoffmann, para assumir esta função a partir da reunião de primavera dos membros da CCFMC e.V. Uma solução definitiva está bem encaminhada, mas precisa ainda de tempo. Fr. Andréas Müller OFM foi nomeado presidente honorário vitalício. O mesmo prontificou-se a continuar colaborando, a título honorário, onde e quando for preciso, sempre.
Programa de Assis
Foi previsto para a quinta-feira um programa “exposure”
Planejamento futuro e planos de ação:
Aproveitamos toda a sexta-feira para tirar as conclusões das reflexões e dos impulsos recebidos durante a semana, e isso, em grupos continentais e juntamente com os responsáveis pelo Centro do CCFMC. Numa breve introdução, Fr. Bill chamou a nossa atenção para o fato de, segundo o exemplo de S. Francisco, os planos e as palavras só se encherem de vida quando se convertam da palavra em ação.
Os grupos interiorizaram isto e desenvolveram planos para os seus sectores, os quais querem e devem realizar agora. Vamos informar nos próximos meses qual o aspecto destes planos e como são iniciados.
Europa
Romênia
Nas pegadas de S. Francisco – após 800 anos
De
Fr. Aurel Ilieş OFMConv explicou, em duas conferências, o nascimento da Regra Franciscana desde os inícios, até à Regula Bullata, de 1223. Sublinhou, especialmente, a singularidade e novidade na história da Igreja. Apresentou os seguintes exemplos:
1. A regra não é nenhum texto legal, mas sim um documento espiritual que descreve a identidade do irmão / da irmã.
2. As irmãs e os irmãos que seguem este ideal comprometem-se a levar uma vida nas pegadas de Jesus, que requer uma constante mudança de pensamento.
3. A recusa categórica do dinheiro perdurou durante séculos – apesar dos privilégios papais.
4. Francisco admoestou os seus irmãos a trabalharem com todos os talentos que Deus concedeu, sendo isso o estilo de vida característico.
5. Somos peregrinos a caminho, que servem a Deus em pobreza e humildade, pedindo, cheios de confiança, esmolas na mesa do Senhor, se for necessário.
6. Para o cargo de direção, Francisco não quer superiores, mas sim ministros (servos). É nesta visão franciscana que todos são iguais, e ninguém deve achar-se maior que os outros.
Em pequenos grupos, as irmãs e os irmãos puderam refletir aprofundar a mensagem ouvida. Tratou-se, sobretudo, de saber em que modo a regra, também hoje, determina a vida pessoal e da comunidade e o que significa ser um irmão ou uma irmã menor.
Foram discussões dinâmicas e muito profundas. Na apresentação das reflexões em grupo, sentiu-se que os participantes se esforçaram por dar respostas sinceras. Na seguinte celebração da Eucaristia, o Ministro Provincial Fr. Szabolcs Orban OFM, mais uma vez, chamou a nossa atenção sobre os encontros decisivos de S. Francisco, que continuam sendo muito importantes também para nós: o encontro com o leproso e com Cristo Crucificado. No domingo, Fr. Andréas, teve a oportunidade de apresentar o “Curso Básico sobre o Carisma Missionário Franciscano” (CCFMC), que foi acolhido com grande entusiasmo. Queremos terminar, o mais breve possível, a tradução para o romeno para que, em breve, possamos trabalhar com ele. Assim, finalizou o programa de 3 dias de conhecimento mútuo e celebração conjunta.
O encontro terminou com uma solene Eucaristia que foi celebrada pelo bispo auxiliar da diocese Alba Lulia, Msgr. Tamas Jozsef. Na sua homilia exortou-nos à fidelidade à nossa vocação. Pediu que vivêssemos a nossa espiritualidade com perseverança e entusiasmo. O jubileu, disse, devia lembrar-nos dois aspectos:
· o problema da pobreza, que ligou com a parábola de Jesus sobre o jovem rico: pobreza não como miséria, mas como libertação das algemas do querer possuir. E
· à fidelidade à Regra num mundo que é regido pela mudança rápida de acordo com suas normas próprias. Apresentou-nos exemplos concretos baseados na sua experiência como diretor espiritual do Seminário de teologia.
Com estas idéias e a sua bênção, terminamos os três dias de graça e do encontro fraternal. No próximo ano queremos voltar a encontrar-nos
Um carinhoso Pace e bene! – Irmã M. Lydia, Caransebeş, Romênia
Ásia
Filipinas
A Família Franciscana festeja Francisco
“Compromisso e Celebração” – foi o lema do programa de festas que, entre outras coisas, continha uma apresentação PowerPoint acerca da “história da presença franciscana nas Filipinas” bem como acerca da influência do movimento franciscano para a Igreja e o mundo nos passados 800 anos.
O fim solene das festas foi a Eucaristia celebrada pelo Núncio Apostólico Bispo Edward Adams. “Sim, agradecemos a Deus a prenda valiosa que vós, a Família de Francisco, sois para a Cristandade”, afirmou o Núncio na sua homilia. O pequeno ribeiro que nascia no monte Subásio, disse, transformou-se num caudal enorme sendo uma contribuição importante para a divulgação do Evangelho no mundo. O bispo Adams lembrou também a missão de “reconstruir a Casa”. Tal como Francisco, disse, “começamos esta reconstrução em nós mesmos.”
Abraçados pelo jubileu do carisma franciscano houve mais eventos da família franciscana das Filipinas em 2009: uma vivência de Greccio em janeiro; uma vivência de Carceri Eremitas em março, bem como uma reflexão comum sobre a nova fórmula dos votos na Ordem.
República Popular da China
Segundo seminário sobre espiritualidade franciscana: a oração
23 irmãos e irmãs franciscanos, provenientes de diferentes congregações, reuniram-se para mais um seminário sobre os fundamentos da espiritualidade franciscana, e isso, na província Shaanxi, na República Popular da China, em meados de setembro de 2009. Os escritos de Francisco e Clara, a história do movimento franciscano bem como, sobretudo, as orações franciscanas constituíram os temas principais deste seminário de 3 dias, cuja preparação e realização estiveram a cargo de Fr. Leonard Chen OFM.
Os/as participantes do seminário destacaram que estavam interessados em encontros interfranciscanos, bem como em outros programas relativos ao estudo do carisma missionário franciscano. Especial atenção foi dada às contribuições de Fr.Joseph Ha OFM bem como as suas conversações pessoais com diferentes participantes do seminário. Foi expressa a vontade de convidar mais pessoas provenientes de Hong Kong e Taiwan para darem novos impulsos.
Nota breve
Nova presidente da FFB
De pé descalço nas pegadas de Jesus -
L’expérience du Christ conduit François dans sa suite Br. Niklaus Kuster OFMCap |
Seguimento na “fantasia” do amor
Francisco ama, medita e interioriza o Evangelho de tal maneira que este lhe mostra, em todas as situações da vida, as “pegadas” de Jesus e o faz ouvir a voz “do Filho de Deus” (CtOrd). A Palavra de Deus não só quer ser conhecida e estudada, mas quer fazer Cristo nascer de novo em nós, através da nossa vida (Carta aos Fiéis). Num caso extremo, deve-se, até mesmo, dar o único livro de Evangelhos, se não for possível ajudar, de outra maneira, uma pessoa sofredora. No inverno de 1220/21, Francisco pede ao responsável da “Comunidade Exemplar” que entregue o único Livro de Evangelhos de Porciúncula a uma mãe empobrecida de dois irmãos, para que ela o pudesse vender, vencendo, assim a sua miséria. Pois, Cristo gosta mais que os irmãos convertam a sua Palavra em ações concretas, do que apenas rezem e meditem: “Tive fome e vós me destes de comer.”
A prontidão para seguir, com ações concretas, o conselho de Jesus dirigido ao homem rico, torna-se critério para novas vocações, no caminho da “fraternitas” franciscana. Em 1223, escreve na sua regra definitiva, o que vivera como experiência radical e libertadora:
Se alguém, movido pelo espírito de Deus quiser assumir esta vida e vierem procurar nossos irmãos, deve ser acolhido por eles com carinho. Se estiver decidido a escolher esta forma de vida... então, os responsáveis devem dizer-lhe a Palavra do Evangelho, para que ele vá e venda todos os seus bens e procurem distribuí-los aos pobres. (RB 2,6)
Não deve haver outra norma além do Evangelho. A criatividade do amor mostra a cada irmão como agradar melhor a Cristo. Um seguimento autêntico desenvolve-se sob o signo de uma amizade pessoal com Cristo.
Fr. Leão já se encontra a caminho com o “poverello”, há dez anos e, é o seu mais íntimo. Embora já não seja principiante anseia por instruções mais precisas para o seguimento. Em linhas escritas desajeitadamente, Francisco responde ao “seu irmão”, sendo, ao mesmo tempo sensível como uma mãe. Mas, a liberdade evangélica, que escolheram juntos, não precisa de normas. Francisco evita entrar no papel de líder ou de mestre:
Fr. Leão, do teu irmão Francisco, Paz e todo o Bem. Assim te digo, meu filho, como uma mãe, por todas as palavras que trocamos durante o caminho, resumo, nesta palavra e aconselho-te tal – e tu, (depois,) não precisas vir até mim, para ser aconselhado. Pois aconselho-te o seguinte: do modo te pareça melhor agradar ao Senhor nosso Deus e seguir as Suas pegadas e a Sua pobreza, fá-lo com a benção do Senhor Nosso Deus e fraternalmente unido a mim. E se for necessário, para a tua alma para obter uma consolação, ou se quiseres por ti voltar para mim – vem!” (Leão)
A cartinha que Leão mantém durante mais de 50 anos no seu hábito, reflete a liberdade original franciscana da vida. Autoresponsabilidade une-se à solidariedade. Nenhum irmão e nenhuma prescrição, nenhuma pessoa e nenhum cargo devem colocar-se entre Cristo e aqueles ou aquelas que O seguem por amor. Nem leis ou instruções de outro, mas sim a própria intuição sabe melhor de que modo o discípulo agrada ao seu Mestre, e o amigo agrada ao seu amigo. O “poverello” desperta no companheiro a coragem de se deixar dirigir no seguimento, de novo pela imaginação do próprio amor.

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