Francisco convida ao seguimento de Cristo
“Depois de, durante dois anos desde a impressão dos estigmas – isto é, vinte anos após sua conversão, ter sido emoldurado pelos golpes da provação de angustiantes enfermidades, como pedra a ser colocada no edifício da Jerusalém celeste, e de ter sido levado à perfeição pelo martelo de múltiplas tribulações, pediu que o conduzissem a Santa Maria dos Anjos ou da Porciúncula, a fim de receber o espírito da vida onde recebera o espírito da graça.
Tendo chegado ali, querendo mostrar pelo exemplo da Verdade que nada tinha em comum com o mundo, naquela enfermidade grave que pôs fim a toda enfermidade, prostrou-se, no fervor do espírito totalmente nu sobra a terra nua, para, naquela hora extrema em que o inimigo ainda poderia irar-se, ele pudesse lutar nu contra um adversário nu.
Deitando-se, assim, na terra, despojado da veste de saco, elevou o rosto ao céu, como de costume, e, todo atento àquela glória, cobriu com a mão esquerda a chaga do lado direito para que não fosse vista. E disse aos irmãos: ‘Cumpri minha missão: que Cristo vos ensine a cumprir a vossa!’” (LegM XIV,3 e 2Cel 214)
CCFMC Lição 0, Texto das Fontes
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Francisco foi um homen de Jesus. Dedicou a sua vida a ELE, à sua causa. O anúncio do Reino de Deus, foi sua missão. Quem o encarregou desta tarefa foi Deus mesmo. Estava tão seguro desta misssão que a deixou como herança sagrada aos seus irmãos: “Niguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo forma do Santo Evangelho”. (Test 14)
O que parece tão fácil torna-se, a seguir, algo mais difícil. Se quisermos perceber a vontade de Deus, temos de ler dois livros, como diz Agostinho: o livro da vida (os sinais dos tempos) e a Bíblia, isto é, temos de adaptar o primeiro livro (livro da vida) aos critérios da Bíblia.
O mesmo vale para a herança dos nossos fundadores. Não é suficiente conhecer o que São Francisco e Santa Clara escreveram. Precisamos descobrir encontrar o ponto de unidade entre os escritos e os sinais dos tempos, temos que traduzi-los para nossos dias. Mesmo com possibilidade de errar, é este o caminho para a vivência do projeto franciscano em nosso tempo e em nosso lugar.
“Foi assim que o Senhor concedeu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: como eu estivesse em pecados, parecia-me sobremaneira amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles.
E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo, converteu-se para mim em doçura de alma e de corpo; e, depois, demorei só um pouco e abandonei o mundo.” (Test 1-3)
O tempo de Francisco
O que aconteceu nesta reviravolta? A lepra era uma doença generalizada. Os leprosos andavam desfigurados, eram banidos da sociedade e viviam isolados. Também Francisco teve os seus problemas neste contexto. “O que me parecia amargo, converteu-se em douçura de alma e de corpo.” Dolcezza – significa ternura, empatia, compaixão, solidariedade.
Para Francisco surge um novo mundo: o mundo do amor ao próximo. Seu mundo desmorona; este mundo de camadas sociais: a de cima e e de baixo, de senhores e servos. Francisco reconhece que este mundo não pode ser o verdadeiro, o mundo que Deus o quis. E descobre no Evangelho a alternativa. Um mundo reconciliado no qual o valor da pessoa não depende do trabalho e do ganho; um mundo no qual a riqueza que Deus colocou na Criação e no mundo, pode, ser usada com simplicidade
O tempo de hoje
Em que aspecto o mundo hoje, deve reviver o sonho de Francisco? Hoje, também, o mundo vive atormentado e crucificado: 842 milhões de pessoas são subnutridas, conforme o mais recente relatório da FAO. Catástrofes naturais, guerras, AIDS, são as razões mais importantes da fome e da pobreza no mundo. Cerca de 95 por cento dos 842 milhões de pessos que sofrem de fome vivem nos países
Desafio
Como Francisco descobriu a sua vocação no encontro com o leproso, nós também precisamos acolher estes marginalizados e crucificados de nossos dias, relendo o Evangelho a partir de sua ótica. Isto é o que “Jesus Cristo nos ensina hoje”. Quer dizer: revitalizar a opção franciscana pelos pobres.
É neste sentido que lhes desejamos uma Festa de Francisco encorajadora e cheia da benção do Senhor
Vossa Equipe do CCFMC de Würzburg
Patricia, Veronica, Andreas, Wolfgang
De pé descalço nas pegadas de Jesus -
Nas Pegadas do Filho do Homem Br. Niklaus Kuster OFMCap |
Liberdade Evangélica – 2ª parte
Também esta história exemplifica como Francisco e sua primeira fraternidade transpõem o Evangelho para a sua própria realidade. Possívelmente, aconteceu um pouco mais tarde. Francisco voltou da Palestina à Itália:
O Poverello está outra vez na Cidade Santa, e o Cardeal Hugolino convida-o para comer. O bispo e “Senhor de Ostia” aproveita a oportunidade de apresentar o frade, que se tinha tornado famoso, aos seus familiares, nobres da família dos condes de Segni e a outros prelados. Há um banquete rico ao qual participam os senhores na hora do almoço. Para Francisco, está previsto o lugar de honra – bem visível para todos – ao lado do anfitrião. No entanto, no meio dos senhores nobres e excelências, o irmão menor parece não se sentir muito bem – ou é desta vez o banquete rico? De qualquer modo, pede licença por pouco tempo, desce para a ruela e senta-se no meio dos mendigos que pedem os restos da comida à porta do Senhor Cardeal. Quando Francesco tem suficientes migalhas de pão e restos de legumes no seu recipiente de madeira, volta para a companhia de Hugolino, distribui a cada hóspede algo das suas dádivas e senta-se outra vez... Após a refeição, Hugolino leva o poverello à parte, abraça-o perguntando-lhe um pouco embaraçado porque o tinha comprometido sobremaneira com esta atitude: “Não Vos honrei?” – ao que Francisco responde: – “Honrando um Senhor maior? Deus mesmo ama a pobreza, e eu quero seguir o meu Senhor que abdicou da sua riqueza, tornando-se pobre por nossa causa”.
A pobreza que Francisco chegou a amar seguindo os passos de Jesus tem uma força de união. A riqueza de Hugolino, no entanto, divide. O poverello supera o abismo existente entre o rico banquete do Cardeal com os seus amigos escolhidos, e os mendigos famintos à sua porta. O “Senhor de Ostia”, ex ofício “sucessor dos apóstolos” não conheceu esta pobreza que dá tudo o que tem, cujo amor une e liberta os homens, que dá vida e, repartindo também dá ao doador – cem vezes mais. A atitude exemplar do poverello na casa de Hugolino, é o paralelo de uma parábola de Jesus, da qual o prelado muito bem se recorda. Também na Roma medieval há Lázaros pobres e ricos comilões: bendito quem supera o abismo enquanto houver tempo.

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