A Missão dum Movimento Laical
Em Fevereiro de 1208, Francisco ouviu o envio missionário de Jesus “Ide e anunciai: O Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, dai também de graça! Não leveis nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre” (Mt. 10, 7-9). Cheio de entusiasmo e muito emocionado exclama: “É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do coração!” (1Cel 22,3). É o início de um movimento novo na Igreja.
E é o começo de uma nova missão: O pobre pregador ambulante Jesus de Nazaré torna-se vivo e palpável de novo. Ele, que veio para anunciar a Boa Nova aos pobres, torna-se, para Francisco, conteúdo e forma da sua missão. Quer seguir as pegadas Dele. Os cansados de carregar o peso do seu fardo, excluídos das magníficas catedrais, dos mosteiros poderosos e das cidades ricas da Idade Média, devem experimentar, outra vez, a predileção de Deus pelos pobres. Por isso, escolhe a pobreza, pois, somente quem é pobre pode sentir como se sentem aqueles que estão sempre por baixo, vivendo das migalhas dos ricos. E só quem não está preso a determinado lugar pode chegar onde as pessoas estão presas à sua miséria. Sua missão e a de seus irmãos será anunciar-lhes a mensagem libertadora do Evangelho. Quando Francisco mal tinha sete irmãos, mandou-os dois a dois aos quatro pontos cardeais para levarem esta mensagem consoladora à humanidade. Não só com palavras mas, como fez Jesus, com palavras e ações.
Na primavera do ano de 1209, passou-se um ano desde a experiência de Porciúncula. Então, Francisco pensou que seria o tempo próprio para apresentar o seu movimento à Igreja: “Vejo, irmãos, que o Senhor quer, misericordiosamente aumentar a nossa comunidade. Indo, portanto, à nossa Mãe, a santa Igreja romana, notifiquemos ao sumo pontífice, o que o Senhor começou fazer por meio de nós, para que prossigamos o que começamos em conformidade com a vontade e preceito dele.” (LTC 46, 2). O Papa deveria ver e experimentar o que o Senhor começou através deles. Também aqui, esta certeza interior: “O Senhor deu-me”. Os irmãos que se juntaram a Francisco viviam com os pobres e excluídos. A mensagem do pobre Jesus de Nazaré fez-se sentir e foi vivida entre eles mais uma vez. Isto deveria ser anunciado à Igreja. Então, os doze irmãos encaminharam-se para Roma nos seus hábitos ásperos para se apresentarem ao Papa. Como o bispo de Assis se encontrava precisamente nesta época em Roma, louvando os irmãos com entusiasmo, o Papa não teve outro remédio senão confirmar o que Deus tinha começado mediante Francisco. “O pontífice, porém, como era dotado de especial discrição, assentiu, no devido modo, aos desejos do santo e, exortando-o e aos irmãos sobre muitas coisas, abençoou-os dizendo-lhes: “Ide com o Senhor, irmãos, e, como Ele se dignar inspirar-vos, pregai a todos a penitência” (LTC 49,2).
O paralelo é visível. Jesus congrega doze discípulos escolhidos e confia neles a continuação da sua missão. Eram pesca-dores, artesãos, pequenos funcionários, quer dizer, pessoas que não pertenciam às elites teológicas do seu povo, mas que estavam abertas ao espírito de Deus que lhes foi anunciado por Jesus. Os primeiros companheiros de Francisco também foram gente do povo. Camponeses e artesãos pessoas simples e pessoas finas, às quais Francisco pode transmitir a sua visão de um outro mundo mais pacífico. Assim surgiu um movimento livre de todos os desejos de posse e domínio, um movimento capaz de transmitir assim, de novo, o Evangelho como mensagem luminosa da libertação e da esperança. O Papa Inocêncio III, o papa mais poderoso da Idade Média, reconheceu isto e deu a este movimento laical a autorização de anunciar a Boa Nova. Entendeu os sinais do tempo.
Se quisermos entender e celebrar corretamente o carisma franciscano 800 anos depois deste evento, é necessário, sendo pessoas franciscanas, que tenhamos esta certeza interior que Deus nos deu; e temos de reivindicar na Igreja outra vez o fato de os leigos terem um direito inalienável a anunciar porque Deus os chamou e os enviou.
Andréas Müller OFM
Quênia - Seminário do CCFMC para a África Oriental
Em Nairobi, na capital do Quênia terminou, em fins de Março, um seminário do CCFMC de 3 dias destinado à África Oriental. Francis N. Kamau OSF e Naku Charles Lwanga JUFRA informam:
37 membros da Família Franciscana, provenientes da África Oriental aceitaram o convite para participarem do seminário do CCFMC para coordenadores e animadores, que teve lugar na Casa de Retiros Rosa Mística, nos dias 19 a 27 de março. Além da OFM e OFMCap, chegaram à Nairobi, para participarem deste evento, franciscanos representantes de todos os ramos da família franciscana dos países da África Oriental. A especial importância deste seminário foi sublinhada pela presença de P. Andreas Müller. A responsabilidade pela organização do seminário esteve nas mãos da coordenadora do CCFMC para o Quênia, Irmã Venantius, que teve a grande colaboração do coordenador para a África, Fr. Hermann Borg OFM.
P. Andreas Müller subdividiu a sua conferência inaugural sob o tema “Francisco de Assis – uma alternativa radical num mundo globalizado” nos seguintes nove pontos:
- O começo dum movimento
- Outra espiritualidade
- A chave: Vida sem posses
- Não esmolas, mas sim justiça
- Pobreza como condição prévia para fraternidade
- O totalmente outro
- Irmão Francisco
- Súdito da Igreja, mesmo assim, totalmente livre
- Utopia franciscana
Temos de aprender, disse P. Andreas, a traduzir a herança franciscana para os nossos dias e colocar os desafios, hoje em dia, numa perspectiva franciscana. O Concílio Vaticano II proporcionou o fogo inicial.
O grupo que elaborou o tema “Vida sem Posses” chegou à seguinte conclusão: não é necessário dar o próprio automóvel e a própria casa, mas sim libertar destas coisas o coração para poder partilhar aquilo que Deus nos deu a nós, quer dizer às diferentes comunidades, por causa do Reino de Deus. Na sua segunda admoestação, São Francisco disse que nós não deveríamos considerar a nossa própria vontade como a nossa “propriedade”. E tal como Francisco, nós franciscanos devemos ter mais coragem de seguir a nossa voz interior, desde que não difira do Evangelho.
Além disso, foi constatado que nós franciscanos não devemos desistir de sermos voz dos que não tem voz, seja por rejeição, mal-entendidos ou sofrimentos. Só assim, podemos alcançar os objetivos das Nações Unidas para o milênio. Humilhação e rejeição não devem nos tornar cegos ante a repressão dos pobres. Um dos grupos de trabalho apresentou a proposta de denunciar as irregularidades existentes no país – injustiça, corrupção, poluição da água, crise alimentar etc. - numa carta dirigida ao Governo.
A utopia franciscana, disse, só se tornará realidade, se as pessoas tiverem a oportunidade de compartilhar em solidariedade e justiça e desenvolver os caminhos para eliminar a pobreza de maneira que cada um possa satisfazer as suas necessidades fundamentais sem luta. Cada pessoa, na África oriental, poderia contribuir para a harmonia, se tudo fosse compartilhado para o bem da comunidade.
Foi muito bem aceita a proposta de que o Quênia se converta no centro para a formação posterior do CCFMC. O Quênia, disseram, é “a porta para a África” e está situado quase no centro dos países de língua inglesa da África. Poderia ser o elo de ligação com os países francófonos como os Camarões, Ruanda, Burundi e o Oeste da República Democrática do Congo.
Depois dos dias cheios de trabalho do seminário, a última noite foi dedicada ao intercâmbio de idéias e de propostas de solução, sobretudo à homenagem da pessoa e do engajamento pessoal de P. Andreas, no que diz respeito à divulgação do carisma franciscano na África.
América Latina
Caribe
Balanço do CCFMC nos países da região caribenha
A tarefa principal da Assembléia Geral Continental do CCFMC na América Latina, que teve lugar em Brasília de 13 a 15 de Outubro de 2008 foi, entre outras, informar-se sobre e discutir o estado atual de desenvolvimento, os problemas bem como as perspectivas nas diferentes regiões do continente. Fr. Luis Patiño Santacoloma OFM de Cali/Colômbia apresentou o relatório referente a estes países:
Informações gerais
Pertencem à região caribenha: a Colômbia, Cuba, Haiti, México, Porto Rico, a República Dominicana e Venezuela. Em todos estes países, conseguimos introduzir o Curso Básico sobre o Carisma Missionário Franciscano e convencer pessoas que acompanham e defendem o CCFMC. Os coordenadores nacionais são os seguintes: Sandra Liliana Sarria (Colômbia), Lionel Pérez Frias (Cuba), Maria Gabriela Alarcón (México), Ramona Valdez (República Dominicana) e Maria Consuelo Núñez (Venezuela). A região é liderada por Sandra Liliana Sarria e Sonia Tabares que se encontram num pequeno escritório em Cali.
Colômbia
Na Colômbia participaram do curso aproximadamente 200 pessoas. Os nossos contactos com a Família Franciscana de Colômbia e a nossa participação nos capítulos nacionais da OFS ajudaram bastante. Desenvolveu-se uma ligação estreita com a Comissão Interfranciscana de Justiça e Paz. Esta comissão ajuda-nos na divulgação do curso, p.ex. na sua escola de espiritualidade franciscana, que elabora estudos referentes a diversos temas do curso. Os resultados destes estudos constituirão uma contribuição altamente valiosa para as lições atuais e futuras do curso, especialmente no que diz respeito a questões socio-políticas e de gênero.
Em Cali, o CCFMC apóia com engajamento pessoal o “grupo Tau”, dois grupos da Ordem Franciscana Secular bem como a comunidade das franciscanas “Semilla de Mostaza” (semente de mostarda), que trabalha sistematicamente com o curso fomentando a reflexão acerca dos diferentes temas.
Escola do Carisma Francisclariano
Esta escola foi fundada pelo CCFMC sendo acompanhada pelo mesmo. Entre as suas tarefas está a divulgação do curso bem como a organização dos respectivos workshops, eventos em grupo e publicações sobre o carisma fundador. Há oito anos, esta escola dá um curso sobre as hagiografias e as fontes escritas do nosso carisma. Este curso é dado por Fr. Fernando Uribe, um especialista reconhecido de história medieval e estudos franciscanos e professor na Universidade Franciscana Antonianum de Roma. O curso consiste num bloco de aulas que tem lugar todos os anos, com uma semana de duração, e os participantes vão de Bogotá, Cali e Medellín. São elaborados os seguintes temas: evangelização franciscana, introdução às hagiografias franciscanas; a regra bulada a forma de vida de Santa Clara; as admoestações; a Legenda Maior; Rezar como São Francisco de Assis; Francisco de Assis hoje. Em média participaram 80 pessoas.
Publicações
Motivada pela celebração dos 800 anos do Carisma Franciscano, a escola do Carisma Francisclariano começou com a publicação de uma série de livros com o título de KARISMA. O primeiro volume desta série com o título de “Ler Francisco e Clara – e seus escritos” já foi publicado; o seu autor é Fr. Fernando Uribe. Acaba de sair o segundo volume da série, que tem o título “Rezar como Francisco”.
A Escola do Carisma Francisclariano mantém estreitos contatos e colabora com outras duas escolas, que estão à disposição dos franciscanos na Colômbia e nos países vizinhos: a Escola João Duns Escoto na província franciscana colombiana de San Pablo e a Escola de Espiritualidade Franciscana da Comissão Interfranciscana de Justiça e Paz. Estas 3 escolas colaboram em programas comuns.
A participação no capítulo nacional da OFS de Colômbia ofereceu a oportunidade de apresentar o CCFMC aos ministros regionais.
Cuba
A Família Franciscana de Cuba foi fundada em Havana em 2001. No momento, é presidida pelo diácono Lionel Pérez Frías que também coordena a Cáritas de Cuba. Um dos seus propósitos principais é a divulgação do CCFMC no país. A recente reabertura da Igreja Franciscana em Havana oferece a possibilidade de fundar aí um centro de espiritualidade franciscana com a ajuda por parte do Centro de Animação Missionária dos Franciscanos de Bonn (MZF). Depois de ter alcançado este propósito, o CCFMC tem boas chances de ser aceito no país, pois existe um grande interesse pela espiritualidade franciscana por parte dos membros da OFS e da Jufra, mas também em algumas comunidades franciscanas femininas. Finalmente, deve-se assinalar que a Ordem Franciscana Secular (OFS) introduziu o curso sobre o Carisma Missionário Franciscano na formação regular dos seus membros.
República Dominicana
A história mais recente do trabalho com o carisma franciscano e de sua divulgação tem origem no ano de 1995, quando o conselho nacional da OFS reconheceu a necessidade premente de fomentar e aprofundar, nas suas comunidades os conhecimentos sobre o carisma, sobre a espiritualidade franciscana e sobre o sentido de ser membro da Ordem. Em 2000, Fr. Demetrio de la Cruz OFMCap, chegou a conhecer o CCFMC. No entanto, só após uma fase intermediária difícil e marcada por fracassos, foi elaborado, por intervenção do conselho internacional da OFS, um plano de ação, e organizado uma equipe de formação posterior a qual encaminhou, in loco a formação posterior nas diferentes partes do país, em conformidade com os fundamentos humanas, cristãos e franciscanos.
Com o engajamento muito especial da encarregada nacional de formação posterior, Irmã Ramona Valdez, foi elaborado, em 2004, um programa de formação que foi aprovado também pelo conselho nacional. Este programa pediu às comunidades regionais que mandassem membros capazes de serem multiplicadores. Foi previsto que, nas diferentes regiões, fossem reinstaladas escolas nas quais não só fosse ensinado aos irmãos e às irmãs a espiritualidade franciscana e o carisma franciscano, mas também as bases da teologia e da Igreja como unidade.
Um formação global dos irmãos e das irmãs da OFS a nivel nacional. Multiplicadores que levam os seus conhecimentos às comunidades a nivel regional e local. Já 12 de um total de 16 grupos regionais dispõem de escolas próprias. Os restantes estão em construção.
O que falta ainda ser alcançado?
A inclusão de mais grupos de irmãos e irmãs no projeto. Faltam recursos financeiros; há já professores voluntários para as aulas. Seria desejável uma extensão do curso completo do CCFM.
CCFMC
As lições do CCFMC serviram como material docente na formação de multiplicadores de 40 irmãos e irmãs. Estes, por seu turno, utilizam as lições nos cursos regionais nos quais participam mais de 600 pessoas. São utilizadas só as primeiras seis lições. Por iniciativa de Irmã Ramona Valdez é utilizado o curso completo na formação inicial de 14 clarisas.
Venezuela
Irmã Maria Consuelo Núñez,OFS organizou um grupo de 20 membros que trabalha sistematicamente com o curso. Junto às Irmãs Franciscanas da Misericórdia, o curso faz parte da formação permanente.
No que diz respeito ao Haiti e Porto Rico, não houve informações nacionais. Uma informação detalhada relativa à situação do CCFMC no México será publicada nas Notícias de Maio. (A Redação)
Estímulos e Perspectivas
· A maioria dos que se interessam pelo curso têm uma educação escolar média: para eles a linguagem utilizada nas lições do CCFMC não é fácil de entender. Por isso, devia-se utilizar uma linguagem simples e introduzir mais material. As lições constituem uma oportunidade para pessoas que possam permitir-se mais estudos posteriores.
· Sería útil elaborar lições com uma linguagem mais simples. Como introdução, antes de começar o próprio curso, propomos a utilização do livro “Francisco para ti”. A segunda edição deste livro está sendo preparada.
· O talento de pessoas individuais e os meios escassos deviam ser utilizados melhor para fomentar o carisma francisclariano. Pessoas das mais diversas origens sociais, das mais diversas posições sociais bem como das mais diversas crenças procuram um sentido para suas vidas. Por meio do curso e das capacidades dos irmãos e das irmãs franciscanos/as, poderíamos e deveríamos antes indicar a estas pessoas um caminho da revelação do que ver o carisma só como um meio para ganhar mais vocações para as ordens.
Assim, declaramos, por ocasião de um encontro da Equipe Diretora Internacional, que teve lugar há tempos na Alemanha, que o CCFMC não devia ser só um curso, mas deveria ser um movimento internacional.
Europa
Romênia
Encontro Interfranciscano em Singureni
Irmã Lydia das Franciscanas de Salzkotten, Caransebes, informa sobre o primeiro encontro do grupo de trabalho da Família Franciscana da Romênia, que teve lugar em Singureni nos princípios de Março:
O encontro ecumênico de 2007, que teve lugar em Sibiu, despertou nas irmãs e nos irmãos dos ramos das ordens franciscanas da Romênia, o desejo de se conhecerem mutuamente e de fortalecerem as relações recíprocas. Após algumas tentativas fracassadas, teve lugar em Singureni no dia 7 de Março de 2009, o primeiro encontro do grupo de trabalho da Família Franciscana da Romênia na Comunidade das Franciscanas Missionárias de Assis, para criarem uma base para a Família Franciscana.
Os/as sete participantes foram: Fr. Peter Guzranyi OFM; Fr. Alexandru Olaru OFMConv; Irmã Corina Benko das Franciscanas Missionárias de Assis, Bucareste; Irmã Pacifika Lorincz das Franciscanas de Mallersdorf, Odorheiu Secuiesc; Irmã Clareta Mandulova da Congregação das Filhas de São Francisco, Timisoara; Sra. Lucia Mamulea da Ordem Franciscana Secular, Bucareste; Irmã Lydia Fecheta das Franciscanas de Salzkotten, Caransebes.
Após uma primeira apresentação dos/das participantes, dos seus campos de trabalhos pessoais bem como das suas comunidades, o grupo de trabalho elegeu Irmã Corina Banko para presidente e Irmã Lydia Fecheta para secretária.
Num debate aberto, dinâmico e fraternal os/as participantes apresentaram idéias e propostas. Também foram mencionadas, por alto, as dificuldades atuais. Foram mencionados concretamente os seguintes pontos:
-
Mal nos conhecemos uns aos outros, e as nossas relações recíprocas são muito fracas.
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Falta material espiritual em língua romena (textos e fontes franciscanos).
-
Procuramos meios para nos apresentar e para anunciar o Evangelho no espírito de São Francisco.
Também comemoramos os 800 anos do carisma franciscano e manifestamos o desejo de organizarmos um movimento nacional no qual deveria participar a grande maioria dos membros da Família Franciscana.
Outro tema foi a elaboração de um breviário franciscano no qual já se está trabalhando e houve estímulos para que o mesmo seja concluído. Também foi iniciada a tradução dos escritos franciscanos e textos de fontes franciscanas para o romeno. O desejo de nos conhecermos melhor, teve como resultado a idéia de organizar uma página Web da Família Franciscana na qual cada congregação e cada ordem se possa apresentar. Foi proposta a designação : www.familiafranciscana.ro
Nas deliberações, foi incluído o Curso sobre o Carisma Missionário Franciscano que é oferecido em alemão sob o título de CCFMC, mas cuja tradução para o romeno está parada atualmente. Também foi proposto traduzir o curso para o húngaro destinado aos irmãos e às irmãs na Transilvânia. O grupo de trabalho aceitou com alegria e entusiasmo a idéia de um curso completo e atualizado da espiritualidade franciscana. O pedido de consentimento por parte dos superiores/superioras da Família Franciscana é um primeiro passo no caminho para por esta idéia em prática.
O próximo encontro realizar-se-á em Caransebes em 23 de Junho de 2009.
De pé descalço nas pegadas de Jesus -
Francisco de Assis experimenta e segue Cristo Fr. Niklaus Kuster OFMCap |
Experiências-chave de uma longa procura
Ao mesmo tempo que descobriu o silêncio nas cavernas e nos bosques fora da cidade, o jovem comerciante reparou, também nas penumbras de sua Assis cheia de sol. Até agora, o centro da pequena cidade cheio de vida era o seu mundo: as casas senhoriais das mais importantes corporações, as lojas magníficas no centro, a “piazza” por si. Ainda hoje quase nenhum turista se perde nas ruelas sujas da cidade baixa – “vicoli” estreitas e tortas, pátios interiores sombrios, as casas das famílias dos operários.
Francisco, que no seu interior pede nova alegria e novo sentido na vida, descobre os operários, os desempregados, os/as mendigos/as e os pobres de Assis. E é atraído cada vez mais para baixo, para o meio dos marginais, na sombra da cidade. As vias para cima, para o silêncio, fazem com que o jovem Bernardone encontre a paz interior, e as vias para baixo, para junto dos pobres para os quais põe a própria mesa, o levam por dois anos de perturbação crescente. Ambos os movimentos de procura preparam duas experiências-chave decisivas.
Os passos de Francisco tornam-se mais radicais: durante uma viagem a Roma. O jovem distancia-se da dureza de coração da sua corporação, atirando o dinheiro da viagem furiosamente sobre o túmulo de São Pedro e trocando secretamente suas vestes com um mendigo, para mendigar ele mesmo diante de São Pedro. Na planície, abaixo de Assis, encontra um leproso a quem a princípio, despreza e, depois abraça descobrindo que “o amargo se tornou doce”. Inesperadamente, o comerciante experimenta nova alegria na vida muito “em baixo”, para onde se sente “conduzido pelo Altíssimo”. Poucas semanas depois do encontro com o leproso, Francisco reza perto do asilo dos leprosos, o qual tem visitado desde então, na igreja rural meio destruída - São Damião. Diz palavras que têm acompanhado sua procura desde há meses. Concretizam pela primeira vez uma influência do anúncio da Igreja deixando, ao mesmo tempo, faltar qualquer indicação para uma imagem concreta de Deus: Quem procura encontra Deus, conforme a compreensão românica, como Senhor do universo. Espera DELE fé – esperança – caridade.
Altíssimo, glorioso Deus,
Ilumina as trevas do meu coração
Dá-me uma fé verdadeira,
uma esperança firme e um amor perfeito.
Dá-me sensibilidade e conhecimento, ó Senhor,
a fim de que eu cumpra o vosso santo e veraz mandamento. (OC)
A respeito da Igreja, como instituição e congregação de fiéis, pode-se constatar com assombro: Francisco continua a tatear sozinho, sem acompanhamento espiritual e também sem conselheiro. O orante procura, durante anos seguidos a Deus, procura fontes de luz e sentido novo de vida. Fá-lo, aparentemente, sem a intervenção de um sacerdote.
Refeições com mendigos e horas de silêncio preparam paulatinamente o primeiro impulso. Pode ser datado na primavera de 1206 e verifica-se em dois passos e em poucas semanas. A experiência com leprosos às portas da cidade tornou o comerciante, que ainda se apresenta montado num cavalo, sensível para o Rei do Universo, que andava descalço no chão. Francisco descreve a experiência decisiva no seu testamento com as seguintes linhas tão breves quanto concisas:
Vivi vinte anos como se Cristo não tivesse existido. Naquele tempo parecia-me repugnante e amargo ver os leprosos. Porém, Deus conduziu-me para o meio deles, e no encontro com eles, o meu amor despertou. Então, aquilo que me parecia amargo, transformou-se em doçura para a alma e o corpo. Passado pouco tempo deixei o mundo. (Test 1-3)

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