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CCFMC-Boletín Fevereiro de 2009

Sonhando uma Igreja


O Concílio Vaticano II define a Igreja como o “Povo de Deus”. Sendo batizados e crismados, recebemos o Espírito (cf Rm 8,9; 1Cor 3, 16.19). Desta maneira, todos são capazes de anunciar e testemunhar o Reino de Deus. Portanto, não se trata duma “Igreja” hierarquicamente organizada, mas de uma comunidade crente, que compartilha a alegria e a esperança, a tristeza e a angústia dos homens e mulheres de hoje, especialmente dos pobres e dos aflitos (cf GS 1)

Como povo de Deus, que vive no mundo, exposto à tentação do poder, normal no ser humano, a Igreja sempre precisa ser evangelizada para poder anunciar o Evangelho de maneira fidedigna. Precisa sempre Aquele que anunciou o que é importante. Lucas, em primeiro lugar, mas também os outros Evangelistas mostram Jesus como um homem que não tinha onde reclinar a cabeça, e que viveu uma solidariedade conseqüente com os pobres. Quem quiser seguí-LO tem que deixar para trás todo pensamento de posse e domínio e procurar com Ele a irmandade com os pobres (cf Mc 10). Pois os pobres, os aflitos, os fracos, os perseguidos e os explorados devem saber e experimentar que “deles é o Reino de Deus”, a consolação, a vida, a justiça, a terra, todo o mundo (cf Mt 5).

Se os responsáveis no Vaticano tivessem considerado isto realmente, teriam evitado as irritações e os protestos que aconteceram em todo o mundo, durante as semanas passadas, acerca da atitude da Fraternidade São Pio X. Em todos os comunicados publicados em revistas, páginas Web e entrevistas, esta fraternidade explica sempre que não aceita as declarações essenciais do Concílio. A declaração sobre a possibilidade de salvação nas religiões não cristãs, a declaração acerca da liberdade religiosa, a admoestação ao diálogo, a declaração sobre as relações com os judeus são qualificadas por altos representantes da Fraternidade São Pio X como um caos teológico. Qual é a imagem de Deus, qual a percepção da missão da Igreja que isto revela? Um Deus amante do ser humano e misericordioso, que quer a salvação de todos, com uma opção preferencial pelos pobres, e que não oferece de maneira alguma uma oportunidade privilegiada aos cristãos dos países ricos do Norte, aparentemente constitui um problema para eles. E a missão no sentido da compreensão de Reino de Deus como o reino da paz, da justiça e do amor para todos, como o compreendeu Jesus de Nazaré, parece ser para eles uma traição ao privilégio da salvação da Igreja.

Quem ama a Igreja deve preocupar-se com tais ânsias pre-conciliares. A sua credibilidade está em causa. O que hoje está realmente em falta é a redescoberta da visão do Concílio Vaticano II. Este definiu a Igreja como uma comunidade de muitas igrejas locais, com suas características culturais próprias e que caminham juntas, em comunhão. A Igreja como o povo de Deus peregrino a cuja totalidade, Deus ofereceu uma aliança, na qual desperta os muitos carismas e serviços necessários à libertação do povo da servidão de culpa e perdição. Quer dizer, uma Igreja na qual todos somos co-responsáveis pelo serviço da salvação da humanidade, uma Igreja que não quer ser servida, mas servir. Uma Igreja que pode ser magnânima, misericordiosa, livre e generosa porque acredita e confia que o Espírito de Deus está atuando.

Esta seria a Igreja fraternal fundada por Jesus de Nazaré e com a qual Francisco sonhava. Nossa missão é testemunhá-la através da vivência de novas relações de irmandade e igualdade. Só resta o desejo que isto não continue sendo apenas sonho. As pessoas precisam de tal testemunho – hoje mais do que nunca.

Andreas Müller OFM  

 

África

O CCFMC na África francófona está crescendo lenta - mas constantemente

Recebemos um relatório da Secretária Regional do CCFMC, Irmã Appolonia Budzee, sobre o desenvolvimento do CCFMC nos países francófonos da África – Chade, Togo, Benin, Burkina Faso, Costa de Marfim, Camarões bem como da República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi.

As estruturas do CCFMC nos países de língua francesa da África continuam sendo organizadas. Este desenvolvimento positivo é lento, mas constante. Graças ao engajamento de algumas pessoas de influência, que vêem no CCFMC o elemento central do trabalho de formação franciscana, este processo de desenvolvimento é estável. Esta é a avaliação feita pelos coordenadores, durante um encontro de quatro dias, que teve lugar nos Camarões, em Abril de 2008.

Fr. Pascal Fomonyuy, OFMCap sucedeu, em Janeiro de 2008, à Irmã Alphonsa Kiven na direção do CCFMC nos países de língua francesa da África.

Chade: Desde o primeiro workshop nacional, que teve lugar em Março de 2007, o CCFMC continua o seu trabalho de formação, sobretudo para a juventude. Eventos regulares não são possíveis devido a deficiências pessoais e de trânsito.

Togo, Benin, Burkina Faso, Costa de Marfim: O coordenador desta região, Fr. François Lare OFM, fez grandes esforços para conduzir o CCFMC ao êxito como já aconteceu no Togo, onde existe um grupo de coordenação desde 2008 que é responsável pela comunicação entre a Família Franciscana e o CCFMC.

Camarões: O programa de formação posterior, assistido pelo CCFMC e destinado às Clarisas e dirigido por Irmã Clementine, foi continuado também em 2008. Isto expressa a grande solidariedade com as Clarisas, que sofrem com a falta de novas vocações, bem como com a falta de assistência espiritual por parte de outros franciscanos, mas também com o isolamento e com a situação precária de manutenção.

República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi: Graças aos esforços feitos pelo coordenador Jean François Isia OFS, as Notícias do CCFMC estão sendo traduzidas para o francês, estando, assim, acessíveis aos interessados de língua francesa em todo o mundo. Também foram continuados os esforços por interessar e sensibilizar ainda mais os franciscanos destes países pelas lições do CCFMC. Por iniciativa do coordenador, o CCFMC foi incluído no programa de formação da OFS.

Ásia

Filipinas: Experiência de Greccio por ocasião do jubileu dos 800 anos

A Família Franciscana das Filipinas comemora o jubileu dos 800 anos do Movimento Franciscano com um programa muito preenchido. Em Agosto de 2006, já teve lugar um primeiro encontro em Mandaluyong City, do qual participaram 620 franciscanos e franciscanas de todos os ramos da família, para se prepararem espiritualmente. O encontro aconteceu sob o lema: “Um espírito – um coração – ler os sinais do tempo com Francisco e Clara”.

O primeiro evento do jubileu de 2009 foi um encontro de 268 irmãos e irmãs franciscanos, que teve lugar em Tagaytay City em 03 de Janeiro com o objetivo de um dia de experiência de Greccio. Fr. Enrique Montero OFMConv sublinhou no seu discurso “O mistério da Encarnação de Cristo” sobretudo a humildade de Cristo. A humildade no sentido cristão não tem nada a ver com humilhação. A humildade cristã é um ato de livre decisão, enquanto uma humilhação é uma desconsideração da pessoa. Disse que a humildade significa, segundo o Apóstolo Paulo, expressar o nosso amor para com o outro.

“A graça a partir da ótica franciscana”, foi o tema da segunda conferência proferida por Fr. Baltazar Obico OFM. A graça, a ajuda gratuita e total, que vem de Deus, nos possibilita levar uma vida cristã. Continuou dizendo que o plano de Deus é o amor, não a humilhação. A espiritualidade franciscana não é a pobreza, mas a gratidão, sublinhou.

O programa do jubileu de 2009 foi preparado e organizado pela Conferência Interfranciscana de Superiores/as das Filipinas (IFMPC) em conjunto com os seus parceiros missionários. Outro eventos: Experiências Franciscanas em ermidas (9 de Março de 2009); Retiros Espirituais franciscanos comuns (4 a 8 de Maio de 2009); Dia de Retiro acerca da fórmula da profissão (8 de Agosto de2009); Grande Cerimônia celebrativa dos 800 anos da nossa fundação franciscana (3 de Outubro de

 

Europa

Zagreb: Encontro Anual do CCFMC para a Bósnia Herzegovina e Croácia

Na capital da Croácia, Zagreb, teve lugar, em 29 de Novembro de 2008, o encontro anual do CCFMC na Bósnia Herzegovina e Croácia bem como uma reunião do Conselho Nacional do CCFMC. A manhã foi dedicada às informações sobre as atividades e experiências do ano passado nos níveis nacional e regional. Durante a sessão da tarde foram abordados importantes temas ligados à estrutura e a problemas específicos como p.ex. as tarefas do conselho nacional e os estatutos do CCFMC.

Após a apresentação do relatório anual por Fr. Pero Vrebac (cf relatório próprio), seguiram-se as contribuições dos coordenadores regionais, das quais só se podem citar aqui algumas:

Fr. Slaven Milanovic Litre OFM, coordenador da região de Zagreb, foi da opinião que os animadores precisam contribuir mais para que as pessoas se interessem pelo CCFMC, para que este programa se torne mais vivo. Irmã Mirjana Pinezic LFF, responsável pela região da Istria, informou sobre um seminário do CCFMC que teve lugar em 8 de Novembro de 2008. Disse que o conhecimento mútuo e a comunicação entre eles foi qualificado pelos 17 participantes como importante e animador para a vivência do carisma franciscano. Para não se limitar só ao tempo dos seminários, disse, decidiu-se visitar todas as comunidades franciscanas, contatar as Clarisas, fomentar a cooperação e eleger em cada comunidade um responsável pela comunicação. Além disso, foi decidido organizar encontros de formação para toda a família franciscana. Irmã Rastislava Ralbovsky SHC, coordenadora da região da Eslavónia informou, sobretudo acerca dos preparativos destinados ao ano jubilar dos 800 anos. Irmã Ivanka Mihaljevic FSS, coordenadora da região da Bósnia, informou que os membros do grupo do CCFMC prepararam as lições para a Jufra e para os/as ajudantes de missa.

Por sugestão de Fr. Pero, os participantes do encontro anual ocuparam-se também do problema dos estatutos nacionais do CCFMC, com os quais o CCFMC nacional se define ele próprio tendo que estabelecer também os seus objetivos, as suas tarefas e as suas competências. Foi decidido que, primeiramente, deviam juntar-se e analisar as respectivas experiências. Presentemente, era muito cedo para elaborar estes estatutos por falta de esclarecimento.

Outras decisões tomadas foram: de 30 de Abril a 3 de Maio de 2009 realizar-se-á em Krk/Croácia um seminário para animadores. Cada região deve enviar quatro participantes, se for possível, participantes sem experiência. Irmã Mirjana Pinezic foi eleita substituta do coordenador nacional. A próxima reunião anual terá lugar em Zagreb no dia 28 de Novembro.

Sarajevo: Um primeiro ano com o CCFMC pleno de êxito

A Bósnia Herzegovina e a Croácia são, hoje em dia, membros ativos e engajados da família crescente do CCFMC que são adeptos incondicionais da divulgação do carisma franciscano. No decurso do ano passado não foi somente instalada a secretaria nacional em Sarajevo, mas também foram criadas as estruturas necessárias para um trabalho ativo.

Fr. Pero Vrebac,OFM, o coordenador nacional, apresentou à assembléia anual, que teve lugar em Zagreb no dia 29 de Novembro de 2008, o relatório anual para toda a região de Bósnia Herzegovina e Croácia. Neste relatório, não só esboçou as ações mais importantes do período, mas abordou também os desafios futuros, duma maneira extensiva e clara.

Disse que a experiência feita durante a reunião do Comitê Executivo Internacional do CCFMC, que se realizou em Grosskrotzenburg (Alemanha) em Fevereiro de 2008, tinha sido um grande estímulo para continuar a tarefa iniciada em Bósnia Herzegovina e Croácia levando a cooperação também para os países vizinhos. “Assim o nosso CCFMC está agora unido e incluído na Família Franciscana em todo o mundo”, sublinhou.

Ações

Entre os acontecimentos mais importantes do ano passado deve-se indicar um seminário de dois dias para os animadores do CCFMC, o qual teve lugar de 1 a 3 de Maio na residência de estudantes OFM em Split. Os 35 participantes (18 membros da OFS, quatro franciscanas, cinco membros da Jufra e quatro franciscanos) expressaram, ao finalizar a reunião, o desejo de que todos os anos seja oferecido um tal seminário.

Também os preparativos para as comemorações dos 800 anos do movimento franciscano foram um tema importante abordado pelos coordenadores regionais durante o seminário. Concretamente, para a Croácia e a Bósnia Herzegovina, está planejada, uma peregrinação interfranciscana em Podmila/Bósnia. A peregrinação acontecerá em 30 de Agosto de 2009.

No relatório anual, destacam-se dois projetos franciscanos na Croácia: A Ordem Terceira Secular de Trsat/Croácia inaugurou em Março de 2007 a Casa “Rosas de São Francisco”, o primeiro asilo para os sem-abrigo em Rijeka. Um pequeno grupo de voluntários, sob a direção de um capelão e de um psicólogo, preocupam-se com as necessidades dos mais pobres, dos “leprosos do nosso tempo”, devolvendo-lhes, por algum tempo, a sua dignidade. Até agora, cerca de 100 pessoas utilizaram estas instalações. Com o exemplo da iniciativa da OFS de Trsat, foi fundado o primeiro jornal dos sem-abrigo da Croácia, “Candeeiros da Rua”. A primeira edição de 1000 exemplares foi publicada em 19 de Setembro de 2008. O jornal publica endereços aos quais os sem-abrigo podem se dirigir, de bancos alimentares e instalações para pessoas com poucos rendimentos. O nome do jornal se inspira na visão franciscana de que os mais pobres são nossos evangelizadores.

Desafios

O relatório anual ocupa-se intensamente com os desafios que se deduzem das deficiências ainda existentes. Por um lado, cresce o engajamento bem como o interesse por Francisco e Clara no ramo secular da família franciscana e Jufra, por outro há deficiência na disposição dos sacerdotes franciscanos de se dedicarem às necessidades espirituais – deles mesmos e de outros.

O relatório diz: “Há muito por fazer: não concentramos as nossas energias tanto na Igreja viva, como nos edifícios da igreja perdendo, assim, a nossa espiritualidade. Em vez de confiarmos a preocupação por projetos materiais a especialistas leigos roubamos deles as tarefas que lhes são específicas. Desperdiçamos o nosso tempo com tarefas para as quais não temos competência; porém, para as tarefas, para as quais fomos formados – o cuidado espiritual – não temos tempo nem interesse. Parece que o tempo em que a Igreja ficou exilada nas sacristias (durante o comunismo), deixou vestígios dentro de nós e dentro das nossas relações com os leigos e os membros das ordens femininas (...). A meu ver, isto acontece porque não somos conscientes da nossa própria identidade franciscana. Somos clericalizados (...). A nossa identidade, se somos ordenados ou não, é a identidade de membros da ordem e não de presbíteros. A essência da nossa identidade franciscana não é a ordenação, mas a vida consagrada (...). Esta mentalidade clerical na qual crescemos é o solo fecundo para preconceitos e mal-entendidos frente aos franciscanos seculares e às franciscanas (...). Comportamo-nos frente a eles como se fossem pessoas duma classe inferior...”

Estímulos

·     Outros irmãos e irmãs de diferentes comunidades deveriam ser formados como animadores para poderem oferecer e dirigir cursos do CCFMC no seu ambiente. Ainda têm de ser estipulados a data e o lugar bem como outros detalhes acerca destes seminários de dois dias, seguramente necessários.

·     São necessárias reuniões regulares do Conselho Nacional do CCFMC para dar mais vida ao trabalho em todas as regiões.

·     Frente à quantidade e diversidade das tarefas no âmbito dos preparativos para o carisma franciscano, que têm de ser observadas pela secretaria nacional, é muito urgente eleger um substituto do coordenador nacional. Presentemente, a secretaria só tem um coordenador nacional.

·     Os preparativos para o jubileu dos 800 anos do movimento franciscano deviam contar também – além das ofertas espirituais – com ações concretas, isto é, o carisma franciscano vivido.

·     Seria muito bem aceite a instalação duma página Web própria em língua croata. Para este projeto, para o qual o centro internacional do CCFMC de Würzburg organizou as devidas condições técnicas, se deveria criar uma equipe própria.

América Latina

2ª Assembléia Continental do CCFMC em Brasília (continuação dos relatórios contidos nas Notícias de Novembro e de Janeiro)

O tema da assembléia geral e do fórum que se seguiu foi: “Como podemos dar nova vida ao sonho do irmão Francisco e da irmã Clara?” O que foi iniciado e o que foi alterado pelo movimento franciscano? Só refletindo profunda e autenticamente estas perguntas, podemos sentir o que isto significa muito concretamente, para nós hoje, no mundo real no qual vivemos. Temos que construir uma ponte entre o mundo de 800 anos atrás e os nossos dias, tentando traduzir a idéia fundante para a nossa situação socio-econômica, cultural e religiosa. Nisto precisamos ser capazes de fazer valer, nas múltiplas facetas da nossa realidade, este ideal fascinante para todo o mundo. Em palavras: temos que pensar globalmente num mundo, que está se transformando numa “aldeia global”, porém, devemos agir sempre localmente, no pequeno mundo que nos cerca.

Deve-se qual o sentido da visão franciscana, do movimento franciscano na realidade atual da Igreja, da sociedade, das diversidades culturais e dos processos sociais com os quais somos confrontados em nossos países. Para a Família do CCFMC, isto significa concretamente o seguinte: O curso continua sendo um instrumento eficaz para impulsionar e acompanhar o processo necessário de aprendizagem. Para nos aproximarmos desta questão, quisemos ser desafiados por uma pessoa “de fora”: convidamos o prof. João Batista Libanio SJ, teólogo da libertação muito conhecido e experiente do Brasil, para nos ajudar a compreender a realidade de hoje, na qual temos de pensar e atuar. Quais os desafios globais? Que vozes e movimentos são importantes para nós, também fora do mundo familiar, eclesiástico e franciscano? O que podemos alcançar, impulsionar e causar ainda hoje? Quem são e onde estão os nossos parceiros também nos grupos que já não se sentem em casa na Igreja?

Segue um resumo conciso do discurso muito animador. São três óticas que temos de considerar.

1.   Sociedade com raízes firmes: É o mundo que existia há 800 anos. Prefere coisas firmes, grandes edifícios, valores estáveis, promessas válidas para toda a vida, famílias estáveis, grandes escolas, estruturas feudais com senhores onipotentes em cima e servos obedientes em baixo, cultura tradicional transmitida de geração para geração, vocação (decisão para a vida inteira), em lugar de profissão (que pode ser mudada).

À mesma corresponde uma Igreja hierárquica: uma Igreja estável que não é posta em causa. Norma fixa é o Direito Canônico. As missões predeterminadas. A tradição e a integridade da verdade tem que ser conservadas. O catecismo, as rubricas e a pastoral sacramental são importantes.

2.   Sociedade Industrial (sociedade intermediária): A sua característica é o sistema econômico capitalista. Renuncia a raízes físicas, intelectuais, sentimentais, religiosas e culturais. Nos âmbitos da economia e tecnologia apoia-se em rápidas alterações. A sua estabilidade reside em leis que oferecem uma certa segurança. No campo da política, o poder baseia-se em eleições, já não na transmissão hereditária ou consangüinidade. Os divórcios são possíveis por decisões judiciais. A profissionalização (competência, eficiência e prestígio social) tem grande importância; porém, é menos importante a vocação, isto é, um compromisso que dura uma vida inteira. A cultura é altamente influenciada pelas ciências (pesquisa genética, informática) e por valores subjetivos (a verdade é sempre uma interpretação desde uma determinada ótica).

A esta sociedade corresponde a Igreja na Sociedade Intermediária: É o resultado de alterações introduzidas através do Concílio Vaticano II. As estruturas são mantidas, porém, flexibilizadas. Os sínodos tem o seu significado. O catecismo é considerado como uma orientação. Os diálogos ecumênico e inter-religioso são atualizados. Os leigos participam em organismos oficiais.

3.   Sociedade post-industrial – sociedade de conhecimento: É profundamente caracterizada pela flexibilidade. É a sociedade neoliberal: Transição dos bens reais aos bens virtuais, ações na Bolsa, cartões de crédito etc. O mundo é governado pela tecnologia eletrônica. Desaparecem a estabilidade no trabalho e na profissão: os trabalhadores mudam de função dentro da empresa ou mudam de uma empresa para outra. Os meios de produção exigem novos conhecimentos. As famílias baseiam-se em relações emocionais ou são determinadas pela auto-realização. A cultura é marcada pelo consumismo e se encontra em movimento constante. O subjetivismo, o marketing, o culto do corpo, a aparência, a (nano)tecnologia caracterizam o rosto desta sociedade.

À mesma corresponde a Igreja Virtual: uma Igreja marcada profundamente pela mobilidade e pelo interesse das pessoas. Um exemplo: www.partenia.org – Notre Dame na Internet; ou também “Igreja-Pólo” que trata das esperanças das pessoas que se dirigem a ela. Há centros de espiritualidade, de aconselhamento, de formação, de silêncio, de música, para só mencionar alguns.

Após este impulso houve uma discussão viva em grupos. “O que temos, pois, que fazer para transferir a herança franciscana para estes tempos pós-modernos?” Houve unanimidade em afirmar que precisamos nos despedir de muitas coisas: das estruturas e tarefas obsoletas, de praças e casas queridas. E as coisas antigas, talvez, recebam um sentido completamente novo, p. ex. comunidades itinerantes para tarefas de formação, para cursos e renovação espiritual; articulação com parceiros na sociedade civil no campo da ecologia e vida simples; melhor intercâmbio entre jovens e idosos (ambos precisam uns dos outros).

Ficou claro que o CCFMC é um instrumento apropriado para acompanhar tais processos. Naturalmente, todos os participantes devem estar abertos para as adaptações correspondentes às necessidades duma região, para a continuidade necessária, para não evitar os temas novos... É importante conhecer a realidade na qual queremos ser franciscanos hoje em dia. Francisco mostra-nos um Deus presente junto do povo, livre de estruturas. Temos de nos tornar mais livres para podermos estar onde os pobres de hoje mal encontram atenção e consolação. Esta é a mística da nossa espiritualidade tão necessária hoje em dia.

 

Centro do CCFMC

Irmã Reginarda Holzer já não pertence à equipe do CCFMC

No dia 31 de Dezembro de 2008, Irmã Reginarda deixou a equipe do Centro do CCFMC . No dia 1 de Setembro, recebeu um encargo importante na direção do lar de idosos e inválidos da sua comunidade em Oberzell. Nos meses seguintes, quis experimentar se, além da sua função na direção, que requer muito tempo, ainda era possível uma colaboração conveniente na nossa equipe. Infelizmente, a experiência mostrou que Irmã Reginarda, não conseguiria planejar um determinado período de tempo.

Desde meados de 2003, Irmã Reginarda tem vivido, planejado e trabalhado conosco por meio período. Foi responsável pela redação das Notícias do CCFMC, pelos contactos com a Ásia e a África, pela promoção do curso na África e por tarefas administrativas. Devemos-lhe muitos estímulos e muitas idéias que enriqueceram o nosso serviço mundial. Agradecemos-lhe de todo o coração a preciosa colaboração. Desejamos-lhe o melhor na sua nova tarefa, esperando que a proximidade de Oberzell continue a possibilitar um intercâmbio estimulante.

 

Nova colaboradora na equipe de redação do CCFMC

Como sucessora na redação das Notícias do CCFMC, podemos apresentar a Sra. D. Hedwig Maurer. Desde o princípio do ano, é responsável por traduções e a redação das noticias do mundo do CCFMC. A seguir, ela mesma se apresenta:

Quanto ao meu currículo profissional: Após os meus estudos das línguas inglesa e espanhola passei um ano em Espanha como tradutora, antes de trabalhar durante trinta anos na “Deutsche Welle: Voz da Alemanha” no setor das Notícias aprendendo aí, o ofício de redatora. No ano 2000 conheci o Centro Missionário dos Franciscanos e Fr. Andreas Muller, em Bonn. Aí não só pude continuar, durante quase seis anos, a minha atividade de jornalista como colaboradora do “Serviço Missionário”, mas também conhecer a vida e o pensamento franciscanos. Daí o meu caminho levou-me, em 2005, à Colômbia onde colaborei durante meio ano na Comissão Interfranciscana de Justiça, Paz e Preservação da Criação.Estou satisfeita por voltar a campos franciscanos esperando reações frutíferas por parte de autores e leitores. O meu endereço é o seguinte: hmaurer@ccfmc.net

 



De pé descalço nas pegadas de Jesus -

Francisco de Assis experimenta e segue Cristo

Br. Niklaus Kuster OFMCap


Juventude não religiosa no centro de Assis e um Deus distante

Porque vive uma pessoa jovem, socializada pela Igreja, no ano de 1200, “como se Cristo não existisse”? E isto no centro duma cidade que dispõe de mais de uma dúzia de igrejas e centros monásticos, ao mesmo tempo, que só tem 2000 habitantes? A resposta pode ser insinuada pelo portal da Catedral de São Rufino, que foi construído naquela época: representa uma imagem de Deus, normal em 1200: o Deus do mundo românico, no trono, assistido pelo sol e pela lua, altamente sublime. O que tem esse Cristo poderoso do mundo a ver com a vida cotidiana das pessoas, com as preocupações burguesas, negócios planejados, festas e sonhos com carreiras?

“O mais humano de todos os santos” escreve Raoul Manselli sobre a primeira metade da vida que tinha “vivido sem Cristo”. O autor traduz assim, para a linguagem moderna, o que Francisco de Assis expressa no seu testamento desta maneira: “cum essem in peccatis” (“como eu estivesse em pecados”). O jovem negociante, sem dúvida, pratica a religião como toda a camada burguesa: vai à missa aos domingos, participa das procissões nos dias festivos e peregrina com sua família, de vez em quando, para Roma. No entanto, olhando para trás, a fé parece não ter influência em sua vida. Agir e decidir. Naquela época é o clero que se ocupava da religião. O clero que está presente em grande proporção na cidade, não acompanha a rápida mudança do tempo. O culto celebrado não significa, de maneira nenhuma, espiritualidade vivida.

Deus mesmo se mostra altamente paciente com o jovem negociante que, durante muitos anos, desfruta do lado dourado da vida. O “Altíssimo” pode esperar até as pessoas o procurarem por iniciativa própria – e Ele espera o que o procura nos lugares mais estranhos. Contudo, este tema vai ser abordado mais tarde.

Nota:

 Nos próximos meses, até fins de 2009, queremos continuar os impulsos por motivo do ano do jubileu “800 anos do Movimento Franciscano”, incluindo cada vez um parágrafo tirado dum artigo mais longo da autoria de Fr. Niklaus.

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